Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado ontem, aponta que 94,6% dos reajustes salariais de 704 unidades de negociação em 2012 ficaram acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o melhor dos últimos 17 anos.
O Ceará, de acordo Reginaldo Aguiar, supervisor do Dieese no Ceará, acompanhou a média nacional das melhorias salariais. O setor de comércio foi o que apresentou melhor resultado na pesquisa feita pelo órgão, com aumento real médio de 2,03%.
Luta antiga - "O saldo disso tudo é positivo. A questão do reajuste igual ou superior a inflação é uma luta que durou 70 anos. Desde 2004 todas as categorias analisadas tiveram ajustes acima da inflação", destaca o supervisor do Dieese. O setor industrial, ao contrário da média do País, foi o que apresentou menor incidência de reajustes com ganho real no Ceará, com 90%.
No País, o resultado foi o mais expressivo em termos de unidades de negociação que conquistaram reajustes acima da inflação desde 1996. O Dieese apontou ainda que apenas 1,3% das negociações tiveram reajustes salariais abaixo do INPC-IBGE, cujo índice varia de acordo com o período da data-base das negociações salariais. Essas categorias tiveram reajustes entre 0,01% e 2% abaixo da inflação.
No Ceará, todas as negociações ficaram igual ou acima da média nacional.
Por faixa - O levantamento apontou ainda que 4,1% das categorias conseguiram reajustes iguais ao INPC-IBGE e que a faixa com o maior número de aumentos acima da inflação (34,2%) foi no intervalo de 1,01% a 2,00% de ganho real. Os dados do Dieese revelam ainda que, na média de todas as categorias, o valor médio do aumento real dos salários sobre o INPC-IBGE foi de 1,96% nas negociações de 2012. As categorias de trabalhadores avaliadas estão nos setores de indústria, comércio e serviços.
A indústria foi o setor que apresentou maior incidência de reajustes com ganhos reais no ano passado, chegando a 97,5% do total de negociações analisadas no setor. O ramo também foi o único, dentre os analisados, a não apresentar reajustes abaixo da inflação medida pelo INPC e IBGE no ano passado. Os 2,5% restantes tiveram reajustes iguais à inflação do período. O valor médio dos aumentos reais na indústria foi o maior dos últimos cinco anos.
Abaixo do INPC - Já o setor de serviços foi o que apresentou a menor porcentagem de negociações com conquistas acima da inflação do período (89,5%). Os reajustes abaixo do INPC no segmento representaram 2,5%, enquanto 8% tiveram ganhos iguais à inflação. O aumento real médio nas unidades de negociação do setor chegou a 1,81% em 2012, o maior no período analisado de 2008 para cá. As negociações no setor de comércio que tiveram reajustes acima do INPC responderam por 96,4% do total.
Aquelas que ficaram abaixo do registrado pelo índice somaram 2,7%, enquanto as que tiveram reajuste igual à inflação chegaram a 0,9%.
Expectativa mantida para este ano - Mesmo com a inflação em patamares considerados altos, o que costuma dificultar as negociações salariais, a expectativa para 2013 é que os ganhos reais dos trabalhadores sejam mantidos em níveis similares dos conquistados em 2012. O ano passado foi o melhor tanto em termos de proporção de negociações que terminaram com ganhos acima da inflação (94,6%) como na análise do ganho médio real total (1,96%) de 2008 até agora.
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